Teerão avisa que uso de fundos congelados para cobrir danos é "precedente incendiário"

Teerão avisa que uso de fundos congelados para cobrir danos é "precedente incendiário"

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, advertiu hoje que se os Estados Unidos utilizarem fundos iranianos congelados para cobrir danos em navios e cargas estarão a criar um "precedente incendiário".

Lusa / Adicionar como fonte informativa
José Sena Goulão - Lusa

A declaração surge em resposta ao plano anunciado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, de recorrer a ativos persas bloqueados por Washington para financiar reparações no contexto da guerra no Médio Oriente.

Através da rede social X, Araghchi afirmou que "apoderar-se dos ativos de outra nação para pagar reclamações futuras não relacionadas é um precedente incendiário", que poderia gerar um caos "nem bonito nem pacífico".

Sublinhou ainda que "quem celebre ou beneficie desses fundos deve recordar: uma vez normalizada o confisco, os ativos de ninguém estarão seguros".

O comentário surgiu horas depois de Trump ter escrito na rede Truth Social que os danos provocados por Teerão a navios, cargas ou outros bens seriam pagos com dinheiro iraniano sob controlo dos EUA. O republicano não especificou que tipo de ativos seriam usados nem o procedimento legal para tal.

Washington mantém bloqueados fundos e ativos ligados ao Governo iraniano como parte do regime de sanções, sem divulgar uma cifra única sobre o total. As restrições limitaram o acesso de Teerão a dezenas de milhares de milhões de dólares em receitas, segundo o Departamento do Tesouro norte-americano.

O acesso a fundos congelados é um elemento central do memorando de entendimento assinado em junho entre os dois países para pôr fim à guerra, mas Trump declarou o acordo terminado há duas semanas, alegando incumprimento por parte da República Islâmica.

Apesar de a maioria desses ativos não estar nos EUA, as sanções norte-americanas condicionam o seu desbloqueio, que poderia aliviar uma economia fragilizada pelo isolamento.

Previamente, Trump disse estar a ponderar lançar um "ataque massivo" contra o Irão, mais intenso do que o de 28 de fevereiro, quando começou a atual guerra após uma operação conjunta com Israel. Em entrevista ao portal Axios, o Presidente afirmou que "está perto de tomar uma decisão" e que "todos estão preparados".

Os combates entre EUA e Irão já duram 13 dias desde o colapso da trégua, aumentando a tensão em torno da circulação marítima no estreito de Ormuz, por onde transita uma parte significativa dos combustíveis mundiais.

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